Pular para o conteúdo principal

Dossiê dos meus amores

E eu morei lá, sempre com olhos no teto desse alojamento....

Lines even more unclear
I'm not sure I'm even here
The more I look the more I think that I'm
Starting to disappear
 
Linhas cada vez mais incertas
Não tenho certeza que ainda estou aqui
Quanto mais eu vejo mais eu penso que
Estou começando a desaperecer
 
(Keane - "Crystal Ball")
 
Teve o primeiro, o estrangeiro. Nada sutil, veio com aquela cabeça de gringo: mulher brasileira, futebol, carnaval. Tinha o corpo esculturalmente perfeito, rosto de modelo, porte atlético. Teve atração, mas o meu momento não foi respeitado, foi só aquilo, casual. Me abriu as portas para tudo.

Depois veio o amor. Diferente, sempre monocromático, ele veio sutil e me conquistou, tomando todo o espaço do coração e da vida. Mas não quis ficar e a dor se instalou em seu lugar. Sofri.

Depois vieram pequenas paixões e frivolidades. Tinha os das festas, os beijos de uma noite, sem nome. Os casos de uma noite, com nome e dia seguinte, mas só um oi e um tchau depois. às vezes tinha os números de telefone, só por formalidade. Nunca ligavam, e quando muito, era só pra mais uma noite. 

O amor ainda estava latente e presente. Encontravamo-nos algumas vezes e tudo virou casualidade. Sofri de novo. 

As paixões pareciam ir, mas não iam. Teve a amizade colorida de um: depois de cada vez, conversávamos noite adentro, falando dos planos de cada um, futuro, trabalho e bem cuidadosamente de amor e relacionamentos, não o nosso em si, que não havia à luz do dia, formalmente, falávamos do nosso sim, mas de uma forma geral. Mas aí ele voltou para um antigo, formal. Sofri.

Teve um com sua doçura e vontade. Desde o início me persuadiu: elogiava-me deveras, beijava-me com intensidade e tudo parecia amor, mas vieram conflitos, por quês, sumiço. E uma volta estranha agora... amigos, então. Não entendi.

Teve também o segundo amor, tão forte e intenso quanto o primeiro, apesar do menos tempo juntos. Mas aí teve aquela história do não quero nada sério e blá-blá-blá... mas agora, tempos depois, ele quis sim o algo sério, não comigo: sofro, deveras.

Teve antes um amor calmo, que poderia ter sido se não fossem as circunstâncias: terminávamos a graduação e ele foi embora seguir os próprios planos e caminhos. Eu fiquei, sofrendo. 

E agora tem essa circunstância louca do acaso: nada é fixo, tudo frívolo, voltei ao início: uma ou outra noite, um "oi, como vai?" daqui e dali, sem maiores preocupações. Ainda adolesço, e tudo isso não é de certa forma amadurecer? Padeço sim, tudo. Teve colegas casando, sempre levadas a sério, enquanto eu... padeço, só. Só, só, só. Vítima? não... eu mesma me levo nessas direções. Antes era a ingenuidade, tinha a desculpa. Agora é o consentimento, ainda que culposo.

Aí crio as circunstâncias pra me livrar das lembranças: trabalho, teatro, monitoria, músicas, planos, gata, lavar roupa, arrumar as coisas, som alto, comida, saídas, festas, tudo me satisfaz na hora, e nada me satisfaz, ao mesmo estranho tempo.

E, como diz uma frase facebookiana que me foi enviada, "Keep calm, work hard, and stop the mimimi". Good Monday, bye!

...

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

H. Pylori

A partir de hoje, se a grana deixar, minha dieta será essa aqui. Descobri, indo hoje ao médico, que tenho uma bactéria no estômago, na verdade uma bactéria comum que muita gente tem, mas que pode ou não se manifestar pro mal. É claro que no meu caso ela fez questão de ser do mal e se manifestar. Eu já tinha cortado bebidas alcoólicas, café e refrigerante, agora só falta remover o estômago mesmo. Sim, porque comer só frutas (não cítricas), legumes e vegetais sempre refogados, lembrar que isso ou aquilo tem gordura ou ataca o estômago, bom, é coisa de nutricionista, ou de gente antenada demais no que come. Cortar frituras também, que são superiormente mais saborosas que coisas cozidas, mas tudo bem. E pensar que tem gente se acabando no torresmo com cachaça sem nada lhes acontecer... Mais um capítulo da injustiça do universo contra mim. A vida sem sabor.
Duzentos mil atrasos hoje e o preço do remédio pra matar a bactéria me fizeram chorar de raiva e tristeza. Pergunto, como sempre, por…

A solidão do professor

Pouco se fala sobre um sentimento que por certo atinge o professor: a solidão. Fala-se em valorizar o profissional, em melhorar salários, em aperfeiçoar a formação, capacitar sempre mais. Não se lembra que é uma profissão que precisa de cuidado psicológico. Você briga com e contra os alunos muitas vezes. Você tenta abrir suas mentes para o novo, o velho, fazer as conexões, entender, aprender. E tem hora que parece que a gente desiste. Que quando vem um comentário altamente crítico ao seu fazer, desmoronamos. Poxa, tanto esforço pra nada!? A falta de retorno positivo, de um elogio, um abono, uma promoção é deprimente. Desgastante. Falta retorno do aluno também. Pelas provas, nada sabemos. Não conseguimos tampouco estabelecer uma relação ais próxima com cada aluno. Nenhum deles vem e diz, "nossa professor, aprendi tanto na aula de hoje!" (pode ser que algum faça, na faculdade talvez). A gente tem que advinhar as dúvidas, o que poderia ser mais dificil ou não, e segue o ritmo …

Inutilidade pública - a história de Benê

O que é ser (in)útil?


Benê se sentia inútil. Vivendo de aluguel com uma gata e uma cadelinha, ia empurrando as coisas com a barriga (literalmente). Desempregado e acima do peso, gostava mesmo era de comer, jogar video game e conversar com friends pelo cell phone. A cadelinha era sua melhor companhia. de vez em quando gritava com ela, tocava-a de onde estava, mas ela logo voltava feliz lhe abanando o rabo. Já a gata não. Olhava-o com altivez, as vezes se roçava em suas pernas, recebia seu carinho e até dormia com ele, mas se irritada, arranhava-lhe sem dó e de repente. Benê tinha vários arranhões, mas amava aquela gata sem bem saber por que. De vez em quando ela dava um sumiço, mas sempre também voltava, com parcimônia. Estava sempre pronta para partir. 
Benê comia porcarias, e comida boa em quantidades rinocerônticas, mas gostaria de mudar se não fosse essa imensa, intensa e incontrolável fome que sentia. A comida era a única fonte e prazer que enxergava, rápida e concreta. Um dia pas…