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Vagotonia

e eu querendo ser Jessica Rabbit...
 Quando a gente tá na expectativa de algo ruim acontecer, tipo tomar uma resposta negativa, e recebe uma positiva, ah, fica tudo tão mais encarável nessa vida! :) Sim, eu já estou subindo nas nuvens antes da hora e talvez, novamente, depois caia uma tempestade, sem aviso prévio. Mas os momentos felizes nessa vida são tão poucos que estou me permitindo curtir e fantasiar ao máximo... E crio momentos bons também: Ontem cheguei em casa super tarde, liguei o som (esqueci que as outras estavam dormindo rsrs), deitei no chão e curti. Minha gata subiu em mim, eu fiquei agarrando ela, enfim... momentos bobos e essenciais de solidão e vaguidão de pensamento. Nós, os vagotônicos, como disse o grande mulherengo Vinícius de Moraes. 

Porque eu sou uma vagotônica à caça da tônica da vida. Preciso de férias de quando em vez, mas preciso sobretudo do amor que as férias me fazem produzir por mim mesma e pelas pequenas coisas, como estar em família e esquecer de si. Esquecer de si requer destreza: é preciso que se seja muita coisa e tenha-se muitos problemas para se esquecer. De quando em vez, nunca de sempre. Mas a felicidade assim assusta os vagotônicos. Assusta-me, deveras.

"Não estou acostumada a ser feliz", disse Nina, personagem de Débora Falabella em Avenida Brasil. É bem por aí que me sinto. A felicidade me assusta, mas quero saboreá-la toda, porque seu sabor é raro, denso e diferente como da trufa de chocolate branco da Cacau Show: é único. É peculiar como um odd number, soa bem como uma massage ou La vie en rose, toca a alma como o Soul catártico. Tudo é tão catártico!

Estou vagotoniando em demasia, deveras, hoje. Tudo por causa de algumas simples palavras, positivas, alegres, felizes, humoradas. O caminho do bem...

Mas tenho tanta fome ainda, e nada sacia. Minha mãe vem aí e vai saciar uma parte disso: carência de afetividade familiar, aquela vontade de ser cuidada. Mas terei que cuidar dela, mamãe. 

Mamãe forma o grupo dos normais lá em casa, juntamente com minha irmã mais velha e meu irmão mais novo. O restante, eu, papai e o outro irmão, por estarmos feito pedra no meio do caminho, somos os vagotôncios por excelência. Os simpáticos das redes sociais reais e os anti-sociais convictos. Minha família é uma delícia. Mas esse fim de semana é da mamãe que, não bastasse o domingo seu dia, ainda aniversaria na segunda-feira, tendo anos em que seu dileto birthday é exatamente no mesmo mothers' day. Ela, como eu digo todo ano nessa época, desejou os 4 filhos que teve, mas não escolheu o nome de nenhum. Desejou ser professora e missionária, sendo os dois: mãe. Deseja agora que todos os filhos, como toda mãe deseja, estejam sob sua guarda, mas cá estou eu, tão longe. Ela larga os outros três para estar comigo esses dias. Isso só porque eu estou longe hehe... mamãe queria que eu fosse menino. Mamãe não quer que eu me case, mas que também não fique "por aí". Mamãe me liga e ainda me chama pelo apelido de infãncia, dado devido ao meu tamanhinho ao nascer e por causa da música do Jorge Aragão: coisinha!! Só por despeito, cresci muito e agora faço papéis masculinos no teatro. 

Vem aí a minha peça, isto é, a peça da qual participarei, The Sandbox, escrita por Edward Albee. Hoje mesmo ensaiamos, ainda não no palco, mas já encenando. Sou Daddy. Sou meu pai, mais do que minha mãe. Sou mistura dos dois, assim como meus irmãos, mas... é tão incrível que cada um saia com uma aparência e uma personalidade da mistura das mesmas duas pessoas!

Estou tão deslumbrada hoje. São as palavras, é mamãe, é a promessa do fim de semana. Good Friday! Bye.

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