Pular para o conteúdo principal

Contentamento

Quem sou eu
pra que o Deus de toda terra
se preocupe com meu nome,
se preocupe com minha dor...?
(PG - Quem sou eu)

Andei, andei, andei muito hoje e não acabei. Não quero acabar; é a velha mania de ter medo da morte. Medo de acabar, de ser esquecida. Sei lá. Esse blog... todas as minhas postagens, juntamente com o que pensei na hora, estão aqui. Estão aqui, mas até quando? A memória tecnológica, as páginas da internet, será que não vão dar um esquecimento um dia? Quantas páginas e suportes e memórias existem, e quantas a mídia virtual é capaz de suportar? Nem sei se faço as perguntas certas, mas... será que não terá um novo bug do milênio (em 3.000?). 

Medo de acabar. De ser esquecida. Quero que saibam que eu existi, mas é muito mais fácil criar uma família e ser lembrada por ela do que ser lembrada pela humanidade. Ser lembrada por todos, por um longo período de tempo, é tarefa árdua, é preciso ter feito algo essencial à humanidade, algo relevante... Minha ambição inalcançável - ou não...

Estou só divagando numa imensidão de questões modernas... o mundo mudou, Deus não. Queria que Ele me explicasse as coisas. Queria me afastar um minuto do mundo todo e ouví-lo. Queria conseguir ouví-lo no emaranhado de ruídos reclamões que faço com meus pensamentos todos os dias. Queria vê-lo, queria ouví-lo, ainda quero, cada dia mais. E isso basta à minha alma; o pensar nEle, o existir nEle, o saber que Ele está aí, aqui, lá, acolá... que Ele quer mme ouvir, me atender, me falar, me ensinar. Isso contanta minha alma.

Contentamento. pensava nessa palavra outro dia e não achei nenhuma outra pra descrever o que sinto às vezes, ao acordar cedinho, sem ajuda de celular ou de alguém. Acho que é Ele, o mestre. Olho pela varanda lá fora e sinto isso, vendo a cerração: contentamento. Corro pra todos os lados, trabalho, tenho apertos financeiros, mas é isso que sinto no silêncio da manhã: contentamento. E aí minha gata vem me dar bom dia, miando. Dizendo que Ele ali está, ainda comigo. Amém.

...

Comentários

Ludi disse…
Oi Rebeca, faz tempo que estou para vir aqui conhecer seu espaço e agradecer a visita e o comentário no meu blog! Feio de mais da minha parte, mas final de semestre é uma baita correria!!

Muito legal teu canto! Também brisa bastante como nós la no Mulher Gratis até as 23h hauahuahau!
Vou seguir e passar por aqui qdo possivel ;)

bjoss
Rodolfo Xavier disse…
Que texto profundo! curti demais! :D

Postagens mais visitadas deste blog

H. Pylori

A partir de hoje, se a grana deixar, minha dieta será essa aqui. Descobri, indo hoje ao médico, que tenho uma bactéria no estômago, na verdade uma bactéria comum que muita gente tem, mas que pode ou não se manifestar pro mal. É claro que no meu caso ela fez questão de ser do mal e se manifestar. Eu já tinha cortado bebidas alcoólicas, café e refrigerante, agora só falta remover o estômago mesmo. Sim, porque comer só frutas (não cítricas), legumes e vegetais sempre refogados, lembrar que isso ou aquilo tem gordura ou ataca o estômago, bom, é coisa de nutricionista, ou de gente antenada demais no que come. Cortar frituras também, que são superiormente mais saborosas que coisas cozidas, mas tudo bem. E pensar que tem gente se acabando no torresmo com cachaça sem nada lhes acontecer... Mais um capítulo da injustiça do universo contra mim. A vida sem sabor.
Duzentos mil atrasos hoje e o preço do remédio pra matar a bactéria me fizeram chorar de raiva e tristeza. Pergunto, como sempre, por…

A solidão do professor

Pouco se fala sobre um sentimento que por certo atinge o professor: a solidão. Fala-se em valorizar o profissional, em melhorar salários, em aperfeiçoar a formação, capacitar sempre mais. Não se lembra que é uma profissão que precisa de cuidado psicológico. Você briga com e contra os alunos muitas vezes. Você tenta abrir suas mentes para o novo, o velho, fazer as conexões, entender, aprender. E tem hora que parece que a gente desiste. Que quando vem um comentário altamente crítico ao seu fazer, desmoronamos. Poxa, tanto esforço pra nada!? A falta de retorno positivo, de um elogio, um abono, uma promoção é deprimente. Desgastante. Falta retorno do aluno também. Pelas provas, nada sabemos. Não conseguimos tampouco estabelecer uma relação ais próxima com cada aluno. Nenhum deles vem e diz, "nossa professor, aprendi tanto na aula de hoje!" (pode ser que algum faça, na faculdade talvez). A gente tem que advinhar as dúvidas, o que poderia ser mais dificil ou não, e segue o ritmo …

Inutilidade pública - a história de Benê

O que é ser (in)útil?


Benê se sentia inútil. Vivendo de aluguel com uma gata e uma cadelinha, ia empurrando as coisas com a barriga (literalmente). Desempregado e acima do peso, gostava mesmo era de comer, jogar video game e conversar com friends pelo cell phone. A cadelinha era sua melhor companhia. de vez em quando gritava com ela, tocava-a de onde estava, mas ela logo voltava feliz lhe abanando o rabo. Já a gata não. Olhava-o com altivez, as vezes se roçava em suas pernas, recebia seu carinho e até dormia com ele, mas se irritada, arranhava-lhe sem dó e de repente. Benê tinha vários arranhões, mas amava aquela gata sem bem saber por que. De vez em quando ela dava um sumiço, mas sempre também voltava, com parcimônia. Estava sempre pronta para partir. 
Benê comia porcarias, e comida boa em quantidades rinocerônticas, mas gostaria de mudar se não fosse essa imensa, intensa e incontrolável fome que sentia. A comida era a única fonte e prazer que enxergava, rápida e concreta. Um dia pas…