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Mandala


Numa dessas voltas da vida, apesar da felicidade e alegria, ela ainda temia que ele voltasse. Que ele voltasse quando ela estivesse de mãos dadas com outrem; que o amor voltasse pra ficar e ela não soubesse onde ficaria. Vazia. Aturdida, sem chão. Queria assim a solidão pela espera, por querer lá no fundo a volta dele. Queria, ainda assim, a companhia, mas pensar em magoar o outro não podia. 

Eles eram dois mundos e ela, planeta. Talvez fosse só terra, água, fogo ou ar, se elevava a todos os elementos conforme fosse a necessidade. Com o primeiro mundo, foi fogo, como sempre; escolhia sempre o fogo como carta primeira da manga, era instinto seu. Ele foi água nela, se espalhou todo. Ela aprendeu a ser água nele, mas com seu próprio fogo tornou-se vapor, ar. Aí começou a sonhar, devaneios altos, enquanto ele se tornava terra, o pé no chão. Ele voltou pro próprio mundo e agora era difícil ser terra para ela, mas aprendia. E ele falava do mundo dela com saudade, indicando que podia ter uma volta... Será que dela falta sentia ou ela impressão errada tinha?

Com o segundo mundo, ela foi ar, mas logo voltou ao fogo, porém assustada se via água e, finalmente, terra. Tudo era místico com ele, não sabia bem como se comportar ou se mesmo se se comportar devia. Na noite do encontro, foi o fogo para ambos. Nos outros encontros, era fogo com um tanto de terra: não havia aquela vontade de verdade, de tocar, acariciar, olhar nos olhos, saborear o outro. Isso havia com o primeiro mundo. Mas o segundo era o que se mostrava aí, o que pronto lhe esperava, o que, apesar do disfarce, era fogo. Era fogo com  terra, água com ar, os pés no chão, o coração a saltar, o corpo que se espalhava, o sotaque que não a agradava, mas engraçado, às vezes quem desdenha quer comprar, como se diz.

Mas temia ainda que ao dar as mãos para o segundo mundo o primeiro voltasse, voltasse e ficasse e quisesse ela. Quisesse juntar seu apelo febril ao corpo fogo dela, quisesse ainda uma vez dizer que ela era só sua... ela que agora se acostumava a ser terra. Mas não era nada e era tudo. Mandala. Ela era os quatro elementos, assim como todos nós, e era o medo também, agora, talvez ainda mais do que antes. Podia haver o quinto elemento. E há. Foi aí que ela lembrou dEle, o guia-mor do universo. E tudo entrou em harmonia de novo no seu ser, pois sabedoria teria para fazer a melhor escolha. Amém!

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