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Preguiça

Calabresa

Tenho preguiça de pensar. Preguiça de falar. Queria muito expor tudo, falar tudo, mas não há ouvidos disponíveis. Cansei, parei. Preguiça eterna. Tentei, mas não há ouvidos, cada um tem os seus próprios problemas e prioridades. Estou quase surtando e não me pergunte por que - a pergunta mais idiota e que me dá mais raiva, ainda que seja a mais importante também.

Vão dizer pra eu procurar terapia, ajuda. Ajuda? Não, não ajuda em nada. Talvez o tanto de doce que tenho comido nos últimos dias me ajude - a ter diabetes. Talvez me salve do sabor amargo da vida. Talvez me salve do modo automático e das lágrimas embutidas. 

Sei que estou viva quando subo o morro de casa e meu coração dispara, suo, a respiração fica ofegante, como em um orgasmo ou em uma paixão. Ou mesmo um ataque cardíaco, que às vezes tenho a impressão de sofrer a qualquer momento.Estou viva quando tenho dor, quando me batem ou eu me machuco, fisica ou emocionalmente.

Preguiça. Preguiça até de chorar, meus olhos andam secos apesar das emoções me transbordando. Sonhos estranhos, desejos, vinganças. Será uma prévia da crise que terei no ano que vem ao completar as 30 primaveras? Crise, tristeza. Um artigo interessante aqui sobre tal.

Vem um que passapor minha cama e diz que não sou nada; outro que se foi e me manda emails; outro que finalmente tirou a máscara de bonzinho e me espezinhou; outro que... ah, tantos... preguiça deles. 

Tem os amigos, ah, preguiça deles. 

Não há ouvidos, simplesmente não há. Porque escrever não basta. Vou engolindo os sapos até o dia que vomitar o godzilla. Aí o mundo acaba de vez.

Enquanto isso, meu irmão diz que casou. Oh, my...

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