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Um dia de fúria


Esses dias de eleições, politicagem, filmes, programas de TV, etc me levaram a essa segunda-feira de fúria. Inicialmente, comecei a revoltar-me com a minha vida pessoal financeira, que não vai nada bem. Desde ponto inicial, meu pensamento seguiu uma linha de raciocínio lógico-matemática que me levou a pensar na injustiça dos salários minimos, dos salários máximos, da estrutura mesmo que subjaz a sociedade atual. Eis o pensamento que publiquei em me status do facebook:
então eu sirvo à sociedade como educadora, professora, whatever, e não sou paga merecidamente por tal, por isso, devo me enfiar num laboratório acadêmico de pesquisa, sentar o rabo o dia todo numa cadeira, encher meu cérebro de conhecimento e "sabedoria", publicar artigos que meus alunos fizeram em meu nome e ai sim vou ganhar meus milhões sem fazer nada de prático para a sociedade que urge por mudança? legal... ideologia, eu quero uma pra viver!!!
Minhas contas tem aumentado, meu salário, nada. Aí sinto-me obrigada a pegar o que aparecer pela frente, aulas particulares, substituições aqui e ali, cansar-me muitíssimo e, ainda asim, ter alguma satisfação com isso, porque tenho. Porque fiz o juramento no dia da colação mas foi só pra expressar publicamente o que sempre achei correto: uma vez formada, devo ir lá fora partilhar o que recebi da Academia. Assim sendo, estou cumprindo meu dever e deveria ser recompensada por isso financeiramente. Mas não. Desistir? Não, não vou por isso desistir da vida de professora, mas é altamente desgastante e desestimulante a situação, se pararmos pra pensar. Por isso é até preferível a gente cair no sistema, ir dar aula e nem pensar em nada, porque pensar demais esclarece demais, traz problemas demais. Vide Gabriela e a castração que as mulheres sofriam naquele tempo do coronelismo, por parte dos pais e maridos e homens no geral. Vide a personagem Malvina, que não quer as amarras dessa sociedade, entende-se como ser pensante e exerce o direito de expressar suas opiniões. Vide o filme "Até o limite da honra" em que uma mulher se submete ao exercito para provar sua força e igualdade... No inicio, tratada com zelo, ela recusa esse tratamento diferenciado e passa a ser tratada como soldado comum, mas ainda assim sofre diferenciação...interessante a cena em que, num exercicio aquático, ela não consegue subir a tempo no bote, e todos os outros de seu grupo que conseguiram são jogados de volta à água. Um dos soldados, companheiro seu, negro, diz que entende o que ela passa, pois "Você é só mais um negro pra eles!", ele declara. Ainda assim, ela continua. Luta. Não cai no sistema. Deixa de lado a vaidade, raspa a cabeça, é um soldado, é mulher, é ser humano. 
Pra que pensar, né? Tá bom o salariozinho que dá pra pagar as continhas e sobrar um dinheirinho no finalzinho do mês pra comprar uma coisinha diferente... Bom, o salário mínimo deveria ter o valor mínimo que uma pessoa/ família precisa pra viver, jamais sobreviver. Quem está na miséria (e ainda existe isso, infelizmente], é que sobrevive. O ser humano, o cidadão tem o direito de viver, de ir e vir, de gozar plenamente da democracia, governo do povo, para o povo. Mas não. Quanto é o salário mínimo? nem sei... andei fazendo uma contas, o salário mínimo, no mínimo tinha que ser dois mil reais. Claro! Como uma familia de cinco, seis ou ate mesmo dez membros sobrevive com ajudinha de bolsa isso, bolsa aquilo, e 500, 600 reias? Pelamor... 
Não dá nem pra ser altruísta nessa sociedade, senão você morre. Chico Mendes, a missionária estrangeira que atuava nem sei onde, nas matas por ai, etc etc fazer o bem, servir a sociedade é perigoso e não desejável... todo mundo quer o conforto, eu também, mas volto ao juramento que fiz na graduação, servir sem interesse... hahaha... é justissimo que eu tenha um salário digno enquanto sirvo, mas é necessário também que eu não vise somente o salário, ele deve fazer parte do todo, e não ser o único objetivo. Porque se for, vou fazer de tudo pra ter mais, como so Brasilienses do palácio do planalto, que têm um salário boníssimo e ainda pegam daqui e dali... A sociedade me deixa doente, pensar me deixa doente.
Tem os meus erros também. Tô nessa choradeira toda e também não faço nada, assim, nada que vá aparecer na mídia, apesar de que eu gostaria... Como disse, faço a minha parte na minha área de atuação e poderia fazer mais, muito mais, e ainda vou fazer... Vi o Prograa do Gugu deste domingo, o quadro de volta ao passado, em que Gugu promovia o reencontro de um casal separado pelas cirscunstâncias sempre desfavoráveis da vida. Mas o que me chamou a atenção não foi a história amorosa e romântica do dois, mas sim o trabalho altamente altruísta do cara:  dentista de indios. Ele contou da situação em que trabalha, viaja  atendendo as populações ribeirinhas e ganha quase nada por isso. Atualmente ele mora no Acre, é de São Paulo e disse que ganharia muito mais se tivesse um consultório em São Paulo, por exemplo. Claro que sim, sabemos que odontologia é um campo altamente rentável, mas o cara preferiu abrir mão do conforto e do dinheiro pra atender os mais necessitados. Isso é realização, é ser bem sucedido também, porque fazer o bem, o certo, agir com moral e bons costumes não são amarras, são coisas que satisfazem a alma. Até quando estaremos em nossa zona de confrto academicista? E eu me vejo pensando no mestrado...como disse, também quero meu conforto, mas não posso abrir mão da minha obrigação junto à sociedade. 
Pessoas assim como essa cara é que deviam ganhar prêmios nobel. Já disse em post anetrior que as pequenas sempre valem a pena, satizfaem a alma. Talvez o dentista nunca seja reconhecido, talvez só postumamente... Vejo isso como uma grande injustiça, mas é asim que funciona, e acredito também no óbvio que podemos mudar tudo, ainda que o tal sistema, essa força que criamos e que se tornou superior a nós, esteja já cristalizada. Mudar é sempre possível, ainda que difciil e trabalhoso. Alguém tem que começar. Que seja eu, que seja você, sejamos nós, sempre, em luta.
Não quero uma vida medíocre, mas não quero ser obrigada a um mestrado ou a qualquer outra coisa só pra viver bem, estar bem... (música do Seu Jorge, com todo respeito] ... às vezes nem sei o que quero... ficar dizendo que quero uma sociedade mais justa, a paz mundial, é balela. Mas quero justiça sim, em todas as áreas. Sou obrigada aqui a sair um pouco do plano terrestre e entrar no espiritual, o único que dá resposta a tudo, ainda que esteja longe da nossa capacidade completa de entendimento.Só haverá mundo perfeito além dessa terra. A justiça pela qual minha'lma urge é divina, está muito aquém da capacidade humana. 

Tudo tão errado que parece certo... outra musiquinha pra finalizar... Sociedade retardada em que vivemos... mais retardada sou eu por perder tanto tempo aqui no blábláblá... que tenha repercussão, efeito borboleta. Amém.
 

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