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Bem-aventurados os passivos...


"Remember, remember, the 5th of November
The gunpowder, treason and plot;
I know of no reason, why the gunpowder treason
Should ever be forgot."

Ideias me assolam. Foi só assistir novamente "V de Vendetta" que coisas começaram a borbulhar em mim. Aqui e ali, todos os dias tenho essas ideias fawkesianas. Incendia, destruir o Palácio do Planalto, assim como o Parlamento o foi no filme. Fazer alguma coisa contra toda essa sujeita, porque realmente há algo de errado com esse governo, como foi dito também no filme. Agir ao invès de ficar nessa verborragia toda que sempre fico aqui. Mas essa seja talvez a minha função, ainda que tão passiva, a de divulgar ideias, espalhá-las e deixar que os verdadeiros revolucionários e corajosos ajam. Sim, porque minhas ideias borbulhantes vão contra minha personalidade passiva e pacífica. Também não acredito que "a violência pode ser usada para o bem", mas às vezes dá uma vontade de ir lá em Brasília e...

Mas aí o meu amor é romântico e quer conseguir apenas a nossa casinha de sapê. Ao contrário do que pensei a vida toda, isso não me satisfaz. Quero mais, eu sempre quero mais. Ambição demais, altruísmo ou na verdade egoísmo? Não sei. Sei que as ideias pululam dentro de mim, coisas que queimam. Não quero descer ao túmulo sem ter tocado a minha música, sem ter feito a minha parte, sem ter feito algo. Mas esse algo é sempre mais; as etapas que chegam na minha vida não me satisfazem, só parcialmente. Eu tenho fome de que? Muita coisa... justiça, sobretudo. 

Eu fiz 29 anos e o tempo passa bem rápido. O corpo muda e pesa, a visão de mundo se amplia, parece que estou ganhando mais conhecimento, e peço cada vez mais sabedoria divina. Difícil viver nesse mundo, apesar do amor. Não sei agir... mas ideias não morrem. Quem me ouvirá? Entrar em algum partido político, morar em Brasília, opções... ações? estou fazendo cá meu papel passivo. Oremos.


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