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Formigas desnorteadas


Tenho chorado esses dias, mas não por mim, agora são dores alheias que me atingem por ser mulher. Hoje li sobre o caso de uma banda da qual eu nunca tinha ouvido falar, New Hit, cujos nove integrantes estupraram duas adolescentes que se aproximaram pra tirar fotos e pedir autógrafos. Aí entram aquelas perguntinhas básicas machistas, elas entrarm no ônibus porque quiseram né? e coisas do tipo, como pode acontecer em outros casos: ah, mas ela tava vestida assim e assado, ah ams ela foi na casa dele e blábláblá... Lembrei de fatos que já me aconteceram e chorei. É, na verdade minhas lágrimas vieram por mim e pelas meninas. O julgmaneto dos caras da banda foi adiado e enquanto isso, eles continuam com shows pelo nordeste. Muitas mulheres da Bahia - o caso é de lá - se juntaram e fizeram um protesto nos dois dias de audiência do caso. Foram desrespeitadas algumas vezes, mas ganharam força, apoio. Fico doída com tudo isso, já passei situações de abuso semelhantes, acho que muitas de nós passa mas nem sabe porque o pensamento machista está entranhado em nós e nem mesmo questionamos nada, "é normal". Mas não é. Não concordo com vários pontos do discurso feminista, aborto por exemplo, mas creio que essas manifestações contra estupro, os escrachos feministas também, são superimportantes para simplesmente dizer que somos seres humanos. O que me entristece é precisar provar isso, porque parece que muitos homens e até mulheres acham que o sexo "frágil" é menos, menor, menos capaz, serviçal, enfim. É triste tudo isso e muitas vezes me omito pra não brigar, pela preguiça, pelo conformismo... mas ultimamente, não sei... o germe do feminismo, ou uma de suas facetas, está se entranhando em mim.

Chorei hoje também por perceber quem está do meu lado. Momento romântico: não é um príncipe, ou sapo, ou o que eu sempre imaginei pra mim, mas tornou-se alguém de quem preciso, quem quero ao lado, com quem contar, sempre. No amor, na guerra, na pobreza, sei lá, parece que tive um insight, um eureka! dentro da igreja hoje, quando lá estávamos. Valorizar, esquecer, perdoar, as palavras de ordem da noite. 

Mas tenho rido também. Rido de coisas idiotas, simples, imbecis até. Esse tal de Harlem Shake, que está fazendo sucesso na net depois da comemoração de um gol de Robinho. O Robinho começou a dançar sob o som de uma musiquinha esquisita junto com os outros jogadores, em galera, e o negócio espalhou, só que um pouco diferente: o pessoal tá fazendo vídeos em que uma pessoa começa a dançar no início da musiquinha e depois os outros começam a dançar também, só que é uma dança de qualquer jeito, cada um do seu jeito. É engraçado, no mínimo. Até estou pensando em fazer rsrsrs...

É estranho como as coisas mais idiotas nos fazem rir e as mais hediondas nos paralizam. Não sei, o ser humano é complexo e ainda estou me conhecendo. É bom ter certezas e dúvidas... isso me lembra a música Razões e Emoções do NX Zero, banda que assisti no Caldeirão do Huck. Assisti TV como ninguém nesse fim de semana. Canta o vocalista Di, agora platinado, que "entre razões e emoções a saída é fazer valer a pena, se não agora, depois, não importa..." Não sei, mas as coisas idiotas e adolescentes podem fazer sentido algumas vezes. Como agora, quando procuramos um norte em meio a tanta confusão mundial. Parece que acabei de entrar em fase adulta e comecei a ver o mundo assim, meio torto, tonto, bom; somos formigas desnorteadas. Que o Deus nosso, de Silas Malafaia e de Marília Gabriela nos guie, amém.

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