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Trabalhos de Hércules


As pessoas gostam de cuidar (da vida) de mães recém-nascidas. Não é por mal, a maioria por ter mais experiência, dá os seus palpites. Quando não, oferecem-se para padrinhos ou madrinhas, coisas que nem nunca tive na minha família e acho estranho, não vejo função. Entendo as preocupações e chatices, mas no meu orgulho independente que arduamente conquistei na vida, não cedo. Faço as minhas caras feias; como a  maioria é comentário em fb, não respondo ou só agradeço. Não posso exigir o comedimento que sempre tive das outras pessoas, cada um é o que é, não tem que disfarçar. Minha corretude (neologismo?) com tudo, a falta de entusiasmo e o cumprimento rígido de deveres - horário, compromissos, provas, entrega de trabalho - sempre me foram peculiares, e são peculiares de distímicos. Mas não estou agora ligando para os meus distúrbios de humor, ainda que continuem me afetando. Coisa que mais afeta meu já mau humor é a falta das coisas. É ver, talvez ilusoriamente, que certas pessoas estão sempre tão bem - bem alimentadas, bem supridas de bens, bem relacionadas - e eu me pego pensando que sempre estou presa num estágio eterno de faltas. Não que antes, morando em São Paulo com minha família, tivesse muito mais: tinha ao menos as coisas prontas, porque a preguiça me é outra particularidade. Trabalhei por um tempo em uma confecção. Fui, por assim dizer, costureira, o que não me orgulha em nada e a poucos revelo tal. Durante esse tempo, por um bom tempo, sustentei minha casa, meu pai desempregado, minha mãe que nunca mais trabalhou depois de nós, os filhos. Já daí comecei a ter uma visão de que precisava fazer mais, ir além, por todos nós. Deixei de ser mais uma boca pra sustentar, mas tampouco pude, nesses 6 anos longe, mandar ajuda. Me criei. Mas agora volto a me sentir criança e a sensação não é nada boa, fere o orgulho-fêmea que possuo, bravo como uma ursa com filhotes. Nada além do que sou agora. 
É certo que tem situações em que devemos baixar a crista e pedir ajuda. Ah, isso é tarefa hercúlea, na melhor das hipóteses, ao menos para mim. O meu baixar a crista é silêncio que se faz mal entendido pelas pessoas e o qual não faço questão alguma de explicar. Assim instauram-se problemas. Não peço que me entendam, mesmo porque nem vou me explicar; não sei qual seria a solução. Ah, sei e não posso cumpri-la, dar o braço a torcer, baixar a crista, começar pelo mínimo de um cumprimento: bom dia.

Bom dia. 

Comentários

Sofia de Buteco disse…
Mas o chá de bebê nós faremos! kkkkkkkkkkkkkkk

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