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Alice ou Dorothy?


Quando Alice entrou no jardim, pensou em passar lá o tempo exato de seus estudos-devaneios: cinco anos, no máximo. Encontrou, porém, o coelho branco. Era pequeno e sedutor, tinha pressa. Alice foi atrás e mudou tantas vezes de tamanho que não mais se reconhecia. Tinha-se feito de pequena, de grande, tudo pelo coelho branco. Em vão. Começava a colecionar os ex. Depois de um mar de lágrimas, surge a lagarta, que nada lhe oferece a não ser mistério envolto na fumaça de seu narguilé. Era sedutora, mas tinha um amor distante e frio. Fez Alice mudar de tamanho algumas vezes também, confundindo-a em seus sentimentos e intenções. Ainda assim, guardou bom sentimento pela lagarta, envolta toda num mistério sem fim. Não conseguia ter raiva dela; ela lhe apontara caminhos, ainda que obscuros. Alice seguiu, mais um pra lista. depois surge o gato. Lindo, sedutor, sempre sorridente, parecia confiante mas nada confiável, o que Alice não percebeu num primeiro momento. Entregou-se e, antes que soubesse por quê, ele se foi, deixando apenas a lembrança de seu sorriso. Inesquecível, mas teria que entrar para a lista dos esquecíveis. Demorou, mas foi. Só que Alice não ficou no jardim. Saiu da toca, livrou-se de tudo. Resolveu esquecer, e aí parece que o coelho branco ainda ronda, a lagarta é uma sombra e o sorriso do gato não saiu totalmente de seu pensamento. O que queriam eles, agora que ela importara um personagem de outro conto, o homem de latas? Ele já tinha coração, ela ainda procurava os pedaços do seu. Tinham uma semente, uma vida em comum. Coelho branco, o que queres? Alice já não está mais à sua altura. O mundo é um chapeleiro louco. Cortem-lhes a cabeça!

Está tudo escurecendo no meu corpo, todas as partes que normalmente vão mesmo escurecer por causa da gravidez. mamilos, axilas, virilha. O/A bebê está mexendo sempre. Os exames de sangue ficaram prontos e com certeza vou precisar tomar suplementos, porque minha alimentação ainda não é das melhores.  Hoje limpamos a casa e estamos vendo filme sobre Noé: A volta do todo poderoso. Adoro esses filmes que retratam Deus de uma forma leve, bem-humorada. Deus criou o arco-íris logo depois do dilúvio pra lembrar que não haverá mais dilúvio. Os dilúvios são sociais e emocionais agora. Eu saí da arca, da toca do coelho, mas parece que, estando ainda no jardim viçosence, os animais-sombras tendem a aparecer volta e meia. Quem sabe ser Dorothy... Somewhere over the rainbow :)

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