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My Sacrifice


How quickly life can turn around in an instant...

Fiz sacrifícios nos últimos 11 meses. Decidi para de sair e voltar de vez pra igreja. Comecei a namorar. Parei de beber. Não bebo, não fumo, não saio pra balada. Não telefono nem mantenho mais muito contato por não saber ou por ter a certeza (falsa?) de que minha presença tornou-se descartável. Não ligo, não ligo, não elogio, não convido, não chamo, não cumprimento. Tenho muita segurança agora. Terminei por um dia com meu husboy e chorando pedi pra voltar. Voltamos. Engravidei. Sem saber, fui tratar do meu estômago. Tive enjoos e ainda achava que era por causa da endoscopia que havia feito pois, apesar do atraso menstrual, minha barriga inchava e murchava por problemas intestinais. Bom, engravidei, mudei de casa, vim morar com ele, temos casa agora. Trabalho, ele ainda não. Sinto falta de coisas que, antes de 2006 nunca tive e por isso a minha conformação está bem rápida. Sou como qualquer espécie de réptil ou animal que se adapta facilmente ao habitat. Facilmente na aparência. Camaleão, fico verde, marrom, rosa, conforme manda o figurino. Mas aqui, deep inside, continuo às vezes sentando no meu rabo e falando dos outros. Tudo isso que me aconteceu, as escolhas que fiz foram um pouco pra fugir do que eu menos gostava na vida dos outros: atropelar duas coisas sagradas a meu ver, o matrimônio e a maternidade. A maternidade me veio como presente inesperado, antes que eu pudesse colocar um centavinho na conta poupança para o casório: foi o primeiro cala-boca que levei, acostumada a ser tão santa, tão chata, tão correta, tão melhor que os outros, reles mortais. Estou longe de ser exemplo de cristã, mas a minha fé sempre foi inabalável, sempre foi, é e será a única parte intocável de mim. Parte da minha conformidade e paradeza é devido às frustrações que sofri lá fora que se tornaram decepção comigo mesma, coisa da qual ainda me recupero. Perdoo melhor os outros do que a mim mesma, só deixo pra lá. É como eu comentava com o husboy outro dia: aceito os erros dos outros, nunca os meus. Coisas pequenas como esquecer um número ou um nome ou mesmo não cumprir prazos aos quais me propus me fazem perder a cabeça. Parece que sempre vivi sob a ótica da perfeição que, como ser humano, é claro que nunca alcançarei. 
A vizinhança aqui me lembra São Paulo, é como se eu tivesse voltado pra lá e a sensação não é muito boa, apesar de que gosto de ter a minha casa. Eu vejo as pessoas sentadas na calçada, conversando, discutindo, brigando, coisas que sempre vi desde criança e não consigo entender por que elas não se mechem, elas se conformam com bolsa-família e empregos de qualquer espécie, uma barraca na feira, enfim... e continuam escrevendo concerto e colocando na frente de suas casas oferecendo seus serviços. Por que eu sempre dei tanta importância à escola, aos estudos, sendo que vivi exatamente nesse meio? Por que não vejo isso em nenhum de meus alunos (exceto os universitários)? Criação. Tudo criação. Ou não, não acho explicação plausível. 
Achei que nossa convivência - eu e husboy - seria penosa, mas era muito mais antes de virmos morar juntos, de nos "casarmos". Ainda não creio que "amigado com fé casado é". Vivemos até bem, com os conflitos daqui e dali, mas nada de mais. Casar nem fica tão caro - a cerimônia em si - mas do jeito que sempre quisemos fazer, encarece e muito. Então focamos no bebê, agora. Nos amamos, enfim, um amor ao qual ainda me acostumo.
My baby me trouxe muita mudança. No início, eu nem sentia ele/a mexer, mas aí passou a se movimentar bastante. Outro dia tomamos um susto: ele/a ficou o dia todo sem se mexer. Husboy ficou preocupado, muitíssimo por sinal e fomos ao hospital. Nisso, conhecemos um médico bem legal e marcamos com ele um novo ultrassom, o morfológico, que segundo ele, é melhor feito no particular. Seja pra ganhar o dele ou não, nos convenceu e marcamos no particular. Dessa vez devemos saber com certeza se my baby é ele ou ela. :) tenho a forte sensação de que será ele, e minha intuição posso dizer que aumentou significativamente. Pode parecer pouco, mas esse dia mesmo em que fomos ao hospital, senti que deveria levar o cartão da gestante e não levei. Hoje de manhã, senti vontade de verificar o saldo de minha conta pela internet apesar de saber que o dinheiro que esperava só viria na terça e, voilà, lá estava a grana quando olhei. Estou me ouvindo mais por causa do/a baby. Meu corpo mudou um pouco, ganhei mais uns kilos e devo ganhar mais até o final da gravidez, tenho dores constantes e muito cansaço e sono, além de preguiça. Se esses sintomas não fossem tipicamente meus, eu teria logo percebido essa gravidez... Minha barriga está agora começando a aparecer mesmo, com 5 meses, e a fome é grande mesmo, mas não a ponto de comer o dobro do que eu comia. Estou sim comendo mais, só que mais vezes durante o dia. E estresse aumenta também, fico irritável, nervosa, chorona, sensível emocional e fisicamente, enfim. Muda tudo. Não me sinto melhor nem mais bonita por estar grávida, sinto ainda mais é o peso da responsabilidade: como ele/a vai ser, o que devo ensinar, como devo ensinar, com quem deixar, a quem dar ouvidos quando todo mundo dá palpite, etc etc e etc... Difícil. 
Acho que, apesar de me sentir segura pela ausência da solidão - enfim! - me sinto um pouco presa pelo "casório" e por my baby. Não vou poder fazer mais nada sozinha, não que eu queira, mas queria poder ter a mesma liberdade de antes. Mas antes eu me sentia ainda mais presa pelo peso da solidão, então... não estou reclamando, estou dizendo que nem mais consigo ou quero fazer algo sozinha. Meu sonho de viajar para o exterior, o mais forte e frustrado de todos, continua vivo, em novos moldes: Disneyland, here we go! Bye. :)

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