Pular para o conteúdo principal

Vida

 Várias coisas passavam por sua cabeça, várias coisas a emocionavam. Via a vida diferente, mais empatia e até mais "deixa pra lá" ... Era hora de ir em frente, tomar cada vez mais decisões, definir a vida, como se possível... como se esta não fosse um rio, um fluxo de coisas que se encadeiam.
- Mô, seu umbigo tá fechando ou é impressão minha? Tá voltando ao normal...
Reparar em seu próprio corpo agora não era muito legal. Estava ganhando peso rápido demais e o umbigo agora estufava, a barriga esticando cada vez mais. reta final, a reta final estava chegando. Participara de uma pesquisa naquele dia de manhã sobre amamentação e só faltou a consulta ao cartão da gestante que, segundo as pesquisadoras, trazia a data prevista do parto. Ela nem tinha reparado... em casa, olhou atentamente o cartão, lá estava: 12 de novembro. A contagem de semanas era um loucura, as diferenças entre as ultras e as consultas também, e ela previa entre os dias 10 e 15, e assim era. 

A grana tava curta mas isso não era novidade... agora ela e o namorido inventaram vender geladinhos, quem sabe... Cortou as unhas vermelhas todas, sem tirar o esmalte. Cortou as dos pés também. Lia todo dia algo sobre a gravidez e via reportagens sobre superação. Superação das pessoas. pessoas esforçando-se ao máximo para emagrecer, sofrendo física e emocionalmente; um homem que, diagnosticado com leucemia, não tomava a medicação adequada havia cinco meses e não aparentava debilidade; o bebê cuja vida foi salva pelos bombeiros em detrimento da de sua mãe; a gata que no dia anterior havia gerado 6 bichinhos lindos. A vida. A vida se agarra a nós com força e com a mesma força nos agarramos à ela. 
Dava medo ainda e mais pensar no dia 12/11/13. Podia vir antes, podia até ser depois... O corpo estava cansado, tenso, grande, inchado. Coceiras por todo lado, sono excessivo, expectativa. Com tanta coisa acontecendo nos SUS da vida, dava medo de tudo, de ter e não ter. Nessas horas seria bom um plano de saúde particular. Mas fora os medos vinha a alegria, a benção de uma filha, a novidade de vida. Sempre a vida, sempre há vida. Bye. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A Cabana

Estreando essa Coluna de quinta, vou falar sobre o filme A Cabana (The Shack). Demorei um bocado para falar sobre o filme, minha vontade quando assisti o filme foi sair dali e correr pra fazer uma resenha linda, elogiando altamente o filme. Porém ponderei e deixei a emoção esfriar. A maioria dos cristãos, os mais estudados, está fazendo duras críticas ao filme. Este vídeo é bem interessante e prova disso. Não discordo dele em muita coisa, porém em algumas coisas discordo e vou explicar o meu ponto de vista. O MEU ponto de vista. Este outro vídeo já fala bem, levando em consideração apenas a mensagem geral do filme: que Deus deseja ter um relacionamento pessoal com cada um de nós. E isso, para nós cristãos, é um fato.

Desde que li o livro e soube do projeto do filme, porque já havia a ideia de transformá-lo em filme, fiquei na expectativa do filme. Confesso que quando leio, não consigo visualizar bem o que está escrito, e um filme me ajuda muito. Aí saiu e qual não foi a surpresa quan…

H. Pylori

A partir de hoje, se a grana deixar, minha dieta será essa aqui. Descobri, indo hoje ao médico, que tenho uma bactéria no estômago, na verdade uma bactéria comum que muita gente tem, mas que pode ou não se manifestar pro mal. É claro que no meu caso ela fez questão de ser do mal e se manifestar. Eu já tinha cortado bebidas alcoólicas, café e refrigerante, agora só falta remover o estômago mesmo. Sim, porque comer só frutas (não cítricas), legumes e vegetais sempre refogados, lembrar que isso ou aquilo tem gordura ou ataca o estômago, bom, é coisa de nutricionista, ou de gente antenada demais no que come. Cortar frituras também, que são superiormente mais saborosas que coisas cozidas, mas tudo bem. E pensar que tem gente se acabando no torresmo com cachaça sem nada lhes acontecer... Mais um capítulo da injustiça do universo contra mim. A vida sem sabor.
Duzentos mil atrasos hoje e o preço do remédio pra matar a bactéria me fizeram chorar de raiva e tristeza. Pergunto, como sempre, por…

Inutilidade pública - a história de Benê

O que é ser (in)útil?


Benê se sentia inútil. Vivendo de aluguel com uma gata e uma cadelinha, ia empurrando as coisas com a barriga (literalmente). Desempregado e acima do peso, gostava mesmo era de comer, jogar video game e conversar com friends pelo cell phone. A cadelinha era sua melhor companhia. de vez em quando gritava com ela, tocava-a de onde estava, mas ela logo voltava feliz lhe abanando o rabo. Já a gata não. Olhava-o com altivez, as vezes se roçava em suas pernas, recebia seu carinho e até dormia com ele, mas se irritada, arranhava-lhe sem dó e de repente. Benê tinha vários arranhões, mas amava aquela gata sem bem saber por que. De vez em quando ela dava um sumiço, mas sempre também voltava, com parcimônia. Estava sempre pronta para partir. 
Benê comia porcarias, e comida boa em quantidades rinocerônticas, mas gostaria de mudar se não fosse essa imensa, intensa e incontrolável fome que sentia. A comida era a única fonte e prazer que enxergava, rápida e concreta. Um dia pas…