Pular para o conteúdo principal

Abba Pai


Me ofereço
assim sem preço
por preço algum
por preço qualquer, 
preço nenhum.
Me esqueço
tudo já é um recomeço
de mim mesmo.
Padeço um retrocesso.
Adoeço, de tédio
E que falta faço a mim mesmo.

poeminha meu :/


"Don't have much money, but
boy if I did
I'd buy a big house where
we both could live"

Your Song - Elton John

Entrei hoje numa igreja católica. Não, não pretendo mudar de religião, mas senti ali nas pessoas que se prostravam ante as imagens que elas também têm Deus, crêem nEle, e as imagens são o quê concreto que nós, Tomés, precisamos. Às vezes sinto falta disso, de um quê concreto onde me agarrar, de fazer algum sinal, tipo o sinal da cruz que os católicos fazem. Evangélicos se fundamentam somente na fé, só que ao mesmo tempo, um grupo deles acaba de construir um suntuoso templo humildemente chamado de Templo de Salomão. Acho megalomania do dirigente, mas ainda assim creio que lá Deus está, como estava hoje no templo católico onde entrei; como está agora aqui se eu com Ele falar. Tem uns momentos na vida que as coisas chegam tão no limite que a gente não acha nem força pra falar com Ele, e foi assim que eu fiz a minha oração de hoje, preguiçosamente em pensamento. Por que, é a pergunta que eu emeu marido nos fazemos. Nesses momentos, é perigoso colocar culpa em alguém e arriscamos colocar a culpa um no outro, mas decidimos não fazer isso, tentar não discutir e nos dar as mãos, procurando juntos a solução. Não só eu elevo meus olhos para os montes buscando socorro, nós dois elevamos nossos olhos aos montes, porque lá está Ele, sempre em um lugar alto, acima de nós, acima de tudo. Por isso a solução está sempre nEle, em buscá-lo enquanto se pode achar.
Será que eu poderia ter ligado pra algum amigo às sete da manhã, só pra conversar? Queria ter feito isso, mas a etiqueta e a falta de créditos telefônicos me impediram, além da vergonha também, ou seria orgulho? Já não sei... Eu só queria dizer pra alguém o quanto está difícil sustentar a casa e não poder ir ao dentista. O quanto está difícil ter meios somente para pagar as coisas práticas e urgentes, as contas, a comida e ponto. Como está difícil não ir ao cinema, não ler um livro - apesar de que, com muito custo, acabo de ler "O signo dos Quatro" de Artur Conan Doyle - não apreciar um CD novo, um novo filme em DVD. 
Don't have much money, como diz a música do Elton. Eu diria "I don't have any money!" que é a mais pura verdade. Talvez eu esteja errada em dar tanto valor a essa questão, mas chegar no final do mês e começar a perceber que as coisas estão faltando em casa é osso; é dose; é difícil. 
Pronto, usei esse blog como ouvido amigo. Talvez também eu não tenha procurado ninguém porque as pessoas julgam, tem opiniões distintas... ultimamente tenho ouvido tantos julgamentos que chego a pensar que família, apesar do querer-bem, torce contra, quer que façamos o que eles acham mais certo. Só queria alguém que ouvisse, sem dar pitacos. Seria o caso de procurar um padre para confissão?
Ah, e pensar que o desejo de apostar na mega sena me consome. Será errado? Oh, Senhor, tantos por quês, tanta coisa que eu não sei. Queria saber menos e mais ao mesmo tempo. Oh, Senhor, queria ser melhor, queria ter mais grana, que é o que infelizmente conta... todos acusam e pouca é a ajuda que aparece, ajuda sempre custosa quando aparece. Perdoe-me Senhor pelas lamentações, eu sou assim, faça-me melhor meu Pai, amém. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A Cabana

Estreando essa Coluna de quinta, vou falar sobre o filme A Cabana (The Shack). Demorei um bocado para falar sobre o filme, minha vontade quando assisti o filme foi sair dali e correr pra fazer uma resenha linda, elogiando altamente o filme. Porém ponderei e deixei a emoção esfriar. A maioria dos cristãos, os mais estudados, está fazendo duras críticas ao filme. Este vídeo é bem interessante e prova disso. Não discordo dele em muita coisa, porém em algumas coisas discordo e vou explicar o meu ponto de vista. O MEU ponto de vista. Este outro vídeo já fala bem, levando em consideração apenas a mensagem geral do filme: que Deus deseja ter um relacionamento pessoal com cada um de nós. E isso, para nós cristãos, é um fato.

Desde que li o livro e soube do projeto do filme, porque já havia a ideia de transformá-lo em filme, fiquei na expectativa do filme. Confesso que quando leio, não consigo visualizar bem o que está escrito, e um filme me ajuda muito. Aí saiu e qual não foi a surpresa quan…

H. Pylori

A partir de hoje, se a grana deixar, minha dieta será essa aqui. Descobri, indo hoje ao médico, que tenho uma bactéria no estômago, na verdade uma bactéria comum que muita gente tem, mas que pode ou não se manifestar pro mal. É claro que no meu caso ela fez questão de ser do mal e se manifestar. Eu já tinha cortado bebidas alcoólicas, café e refrigerante, agora só falta remover o estômago mesmo. Sim, porque comer só frutas (não cítricas), legumes e vegetais sempre refogados, lembrar que isso ou aquilo tem gordura ou ataca o estômago, bom, é coisa de nutricionista, ou de gente antenada demais no que come. Cortar frituras também, que são superiormente mais saborosas que coisas cozidas, mas tudo bem. E pensar que tem gente se acabando no torresmo com cachaça sem nada lhes acontecer... Mais um capítulo da injustiça do universo contra mim. A vida sem sabor.
Duzentos mil atrasos hoje e o preço do remédio pra matar a bactéria me fizeram chorar de raiva e tristeza. Pergunto, como sempre, por…

Inutilidade pública - a história de Benê

O que é ser (in)útil?


Benê se sentia inútil. Vivendo de aluguel com uma gata e uma cadelinha, ia empurrando as coisas com a barriga (literalmente). Desempregado e acima do peso, gostava mesmo era de comer, jogar video game e conversar com friends pelo cell phone. A cadelinha era sua melhor companhia. de vez em quando gritava com ela, tocava-a de onde estava, mas ela logo voltava feliz lhe abanando o rabo. Já a gata não. Olhava-o com altivez, as vezes se roçava em suas pernas, recebia seu carinho e até dormia com ele, mas se irritada, arranhava-lhe sem dó e de repente. Benê tinha vários arranhões, mas amava aquela gata sem bem saber por que. De vez em quando ela dava um sumiço, mas sempre também voltava, com parcimônia. Estava sempre pronta para partir. 
Benê comia porcarias, e comida boa em quantidades rinocerônticas, mas gostaria de mudar se não fosse essa imensa, intensa e incontrolável fome que sentia. A comida era a única fonte e prazer que enxergava, rápida e concreta. Um dia pas…