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Sobre a criação de filhos

cena do filme "Catch and release" (pegar e largar)

Fico cada vez mais preocupada com os teens de hoje: tão irresponsáveis, promíscuos, muitos já são "mães" e "pais". Coloco entre aspas porque em sua maioria eles não criam os próprios filhos, o papel sempre fica relegado aos avós, que ganham não um neto, mas mais um filho indesejado. Óbvio está a objeção que faço à gravidez adolescente. Aliás, diria até contra o sexo entre adolescentes porque se não sabem ou não querem se prevenir, não podem fazer. Se não trabalham e não são emocionalmente estáveis (minimamente) não podem ter filhos. E geralmente não é uma decisão consciente, simplesmente "aconteceu". Ah vá....
Opiniões radicais à parte, creio que tudo começa na criação do menino e da menina, que é bastante diferente. Se o menino sente vontade de fazer xixi no meio da rua, os pais levam ele num canto qualquer pra fazer, enquanto que a menina não pode; brincar de carrinho, usar boné e andar de skate é coisa de menino; e por aí vai. O menino quase homem pode "Passar o rodo" é normal, mas a menina é uma vadia se assim o fizer. Ele engravida uma menina e pula fora, ela fica lá achando lindo ter um bebê, mas depois que nasce... manhêee!! Coitada da vovó!! Ou sente-se meio sem opção, sem nem saber o que está acontecendo consigo mesma... triste.  
Meninos não podem tudo, nem meninas, nem ninguém. A sociedade atual se pauta nisso: tudo pode, tudo é liberado, liberdade de escolher tudo a todos, não importa idade nem nada. Acho que precisamos de regras e leis para um mínimo funcionamento da sociedade. Otherwise, chaos. E parece que estamos sempre caminhando atraídos pelo e para o caos. Desde que fomos expulsos do jardim do Éden, o mundo ficou assim, está sempre oscilando. 
Gostaria que minha filha crescesse no  meio que eu cresci: na igreja, sendo ensinada, apesar de que cometi meus erros, mas foram meus deslizes, e não falta de conhecimento ou atenção dos meus pais. Me preocupo tanto que tenho medo de me preocupar em excesso e criá-la numa redoma, querendo protegê-la de tudo e todos. Não tem jeito. Gostaria só que ela fizesse cada coisa a seu tempo, sem atropelar fases, sem pressa, sem ser apressada por outrem, namorado ou sociedade. Gostaria que ela me desse ouvidos pois ai ela vai saber tudo o que eu descobri tarde demais, pra evitar sofrimento desnecessário. Gostaria que fôssemos amigas, que ela se apaixonasse e fosse correspondida, que tivesse um namoro santo, que... fosse feliz, pra resumir. Mas a vida é dela e as escolhas serão dela. Cabe a mim orientar pra que ela saiba caminhar sozinha later. Pais adolescentes também têm essa incapacidade de orientar, pois eles mesmos ainda estão aprendendo a caminhar sozinhos. Como fazer isso com um bebê a bordo? Um bebê interfere de forma decisiva em toda a nossa existência, quer você fique com ele ou não, que o assuma ou não. Saber que ele esteve ou está lá já muda tudo. Por outro lado, não existe uma maneira única de criar filhos, já que somos seres individuais e por isso, cada um vem de um jeito todo próprio desde o ventre. O meu manual é a Bíblia e quem dera fosse o de toda a humanidade! Mas que façamos o melhor para nossos filhos. Que todos os que são pais e mães não maltratem, abusem ou matem seus filhos. Que os que não os querem ou não planejaram coloquem-nos para adoção ou escolham uma família para eles, pois ninguém merece ser criado em um abrigo e depois aos 18 ser jogado na rua sem muita perspectiva de vida. Que amemos assim como Ele nos amou, amém! :)

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Ah se eu fosse marinheiro..
não pensaria em dinheiro
um amor em cada porto..
Ah se eu fosse marinheiro..

O meu amor me deixou,
levou minha identidade
nao sei mais bem onde estou
nem onde ha realidade

Ah, se eu fosse marinheiro
era eu quem tinha partido
mas meu coração ligeiro
nao se teria partido
ou se partisse colava
com cola de maresia

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