Pular para o conteúdo principal

Crisis


Resultado de imagem para chorar pelo leite derramado

Diz o ditado que não adianta chorar pelo leite derramado, mas acho que meu intelecto não entende bem essa expressão, pois o que mais tenho feito nos últimos dias é pensar no passado, no que fiz de errado, no que poderia ter dado certo e não deu. Tortura! Sim, mas sempre foi uma tortura normal e tolerável em pequenos moldes na minha vida, limitava-se a momentos de cabeça vazia, passava depois. Mas hoje eis que acordo e começo a pensar, como se tivesse sonhado com o passado, e me vejo aos prantos pensando no meu passaporte me branco. Nas coisas que poderia ter feito diferente na graduação. No dinheiro que jamais economizei. Nas pessoas que desprezei ou nas que me desprezaram. Cheguei até a pensar que não deveria ter constituído família antes de ter realizado tudo. Tudo o quê?

Onde estou, quem sou? Meu trabalho não tem me satisfeito, parece que estou fazendo algo inútil, lutando contra a maré. Não sei até que ponto isso é verdade, e me dá vontade de pesquisar, ficar um pouco de fora, o que me faz pensar na Academia. Nas duas, na verdade: a do intelecto e a do corpo. Um mestrado e uma esteira; uma pós e uma corrida. este mês tem dois processos seletivos de mestrado pelos quais me interessei, porém falta-me o "gramour", isto é, o projeto.

Estou agora em um plano de oração por todas essas coisas citadas acima, que se resumem em uma palavra: eu. Quando você se divide tanto em tantas coisas e áreas, é preciso take a break para juntar-se novamente em você mesmo. Ver o que você quer, tomar algumas decisões, por a cabeça no lugar, deixar a angústia e a raiva passarem, respirar fundo algumas vezes por dia. Orações, três vezes ao dia. Sinto até a necessidade de fazer as reverências corporais que algumas religiões pregam, mas por enquanto estou orando em pensamento, talvez ainda com resistência, medo ou vergonha de estar visivelmente orando, falando não com uma força maior, mas com o Deus pessoal, amoroso e justo em quem acredito.

A raiva, a angústia e o estresse ainda estão todo dia comigo, se mostrando especialmente pela manhã. Disse hoje ao meu husb que eu não controlo isso, mas suponho que talvez eu posso, uma das formas é fazendo isso aqui, escrevendo, poemando, ouvindo música e ... cantando, ainda que mal e só em casa mesmo rs. Enfim, vou reagindo como dá. Ah fazendo cursos online também, o que tem sido bom. bye!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

H. Pylori

A partir de hoje, se a grana deixar, minha dieta será essa aqui. Descobri, indo hoje ao médico, que tenho uma bactéria no estômago, na verdade uma bactéria comum que muita gente tem, mas que pode ou não se manifestar pro mal. É claro que no meu caso ela fez questão de ser do mal e se manifestar. Eu já tinha cortado bebidas alcoólicas, café e refrigerante, agora só falta remover o estômago mesmo. Sim, porque comer só frutas (não cítricas), legumes e vegetais sempre refogados, lembrar que isso ou aquilo tem gordura ou ataca o estômago, bom, é coisa de nutricionista, ou de gente antenada demais no que come. Cortar frituras também, que são superiormente mais saborosas que coisas cozidas, mas tudo bem. E pensar que tem gente se acabando no torresmo com cachaça sem nada lhes acontecer... Mais um capítulo da injustiça do universo contra mim. A vida sem sabor.
Duzentos mil atrasos hoje e o preço do remédio pra matar a bactéria me fizeram chorar de raiva e tristeza. Pergunto, como sempre, por…

Inutilidade pública - a história de Benê

O que é ser (in)útil?


Benê se sentia inútil. Vivendo de aluguel com uma gata e uma cadelinha, ia empurrando as coisas com a barriga (literalmente). Desempregado e acima do peso, gostava mesmo era de comer, jogar video game e conversar com friends pelo cell phone. A cadelinha era sua melhor companhia. de vez em quando gritava com ela, tocava-a de onde estava, mas ela logo voltava feliz lhe abanando o rabo. Já a gata não. Olhava-o com altivez, as vezes se roçava em suas pernas, recebia seu carinho e até dormia com ele, mas se irritada, arranhava-lhe sem dó e de repente. Benê tinha vários arranhões, mas amava aquela gata sem bem saber por que. De vez em quando ela dava um sumiço, mas sempre também voltava, com parcimônia. Estava sempre pronta para partir. 
Benê comia porcarias, e comida boa em quantidades rinocerônticas, mas gostaria de mudar se não fosse essa imensa, intensa e incontrolável fome que sentia. A comida era a única fonte e prazer que enxergava, rápida e concreta. Um dia pas…

Homens marinheiros

Marinheiro - Adriana Calcanhotto



O meu amor me deixou
levou minha identidade
não sei mais bem onde estou
nem onde há realidade

Ah, se eu fosse marinheiro
era eu quem tinha partido
mas meu coração ligeiro
não se teria partido

ou se partisse colava
com cola de maresia
eu amava e desamava
surpreso e com poesia

ah se eu fosse marinheiro
seria doce meu lar
não só o Rio de Janeiro
a imensidão e o mar

leste oeste norte sul
onde o homem se situa
quando o sol sobre o azul
ou quando no mar a lua

não buscaria conforto
nem juntaria dinheiro
um amor em cada porto

Ah se eu fosse marinheiro..
não pensaria em dinheiro
um amor em cada porto..
Ah se eu fosse marinheiro..

O meu amor me deixou,
levou minha identidade
nao sei mais bem onde estou
nem onde ha realidade

Ah, se eu fosse marinheiro
era eu quem tinha partido
mas meu coração ligeiro
nao se teria partido
ou se partisse colava
com cola de maresia

Homens são marinheiros, trabalhadores de um dia que vêm ,aportam, conquistam, usam, amam por uma noite e se vão…