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Fathers' Day

dei esse livro a meu pai ano passado

Meu pai me disse que é coisa do comércio e que era pra eu não lembrar. realmente não lembrei. E quando lembrei, não pude ligar ou enviar email, já que meus pais passam longe de internet. E tudo que escreverei aki talvez depois eu mande pra ele por carta mesmo. Eu sempre adorei escrever cartas, tinha amigos correspondentes...
meu pai também, sempre escreveu...desconfio que seja um poeta enrustido. Escreveu um texto maravilhoso sobre mim quando eu tinha cinco anos, sobre o quanto se preocupava comigo, em me dar uma vida melhor...acho que ele nunca soube que eu sempre fuçava os escritos dele e principalmente esse texto, que me fazia chorar...eu passei muitas privações de brinquedo, passeios, coisa que uma criança anseia...mas tive uma excelente educação. Criada em casa, certinha, pra casar...na verdade, nem tanto, pq minha mãe preferia q eu fosse menino quando me esperava...mas o menino dela veio depois, isto é, os meninos.

acho que sou meio menino. Sou meu pai versão feminina, como diz minha irmã. Sou sim, em termos de personalidade e fisicamente também, muito mais de personalidade. Akelas pessoas tristes, deprimidas, que sentem o pesar do mundo e não tem muita reação frente aos embates da vida...eu e papi, assim mesmo. Pontos fortes? meu pai tem uma inteligencia incrivel, que poderia ter aproveitado melhor, bem melhor...mas ele abriu mão de muita coisa e casou muito novo, em 1981, aos 21 anos; ia fazer 22 no mês seguinte, enquanto minha mãe contabilizava seus 28!! (nisso me assemelho à mamis rsrs...). Mamis já tinha minha irmã (ou seja, ela é minha meia irmã) com seis anos de idade. E meu pai foi lá encarar tudo isso...depois ele seguiu a cabeça de uma prima de São Paulo e cismou de ir pra lá. Até então estávamos em Petrópolis, minha linda cidade natal. Meu pai ficou em sampa sozinho por uns dois meses e só Deus sabe o que aprontou por lá...depois a gente foi. Já tinhamos meu irmão. E o caçula também nasceu em Petrópolis: minha mãe fez que nem akeles peixes que voltam ao lugar de origem para desovar. Foi pssar o final da gravidez em Petrópolis e lá meu irmão mais novo - pai tbm, agora aos dezenove anos!!! - nasceu, mas logo retornaos e ele é um autêntico paulista.
Meu pai sempre trabalhou, mas não era do tipo de trabalhar muuuuuito pra sustentar a familia; trabalhava o que achava que devia. Sempre foi assim, aparentemente tranquilo. Nunca ou poucas vezes levantou a mão pra mim. Mas desconfio que ele tenha esse mesmo turbilhão de sei-lá-o-quê que carrego também dentro de mim....ideias, sonhos, projetos, mudanças que nunca se concretizam...meu pai procurava construir uma familia pra não ser tão só quanto fora antes; entretanto, diz nao ter adiantado, pois sempre se sentiu só; meus pais casaram-se por motivos equivocados. E minha mãe prefere ( e acho que até torce) que eu fique solteira.
Meu pai é uma pessoa triste, assim como eu, não sei bem e que sentido somos tristes. Sorrimos, rimos, até gargalhamos...mas a essência é triste. Ele nunca conseguiu extirpar essa tristeza, essa dor do peito...eu queria poder fazer algo, pelo tanto que ele já me deu...eu devo muuuito ao meu pai. Meu pai. E agradeço ao meu outro Pai por este pai aki da terra.  Eu sou ele (tinha que ser um homem a origem de tanta dor que tenho rsrsrs brincadeira....). Valeu, pai! espero que tenha tido um dia bom, porque eu fui à igreja e orei por vc, orei mesmo. Bye.

Comentários

Amanda... disse…
Seu texto quase me fez chorar...

Acho que seu pai tem uma louvável não covardia: encarar a vida tão jovem...deixar tudo por amor...casando-se com uma mulher mais velha, com um filho....(que para os moldes da época pode ter sido um tanto ousado...)...

Seu pai te levava à biblioteca!

Acho que seu pai deve ser mesmo uma pessoa especial!
Rebeca disse…
é sim..tem o jeitão dele neh mas tudo bem...so eu entendo meu pai...

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