Pular para o conteúdo principal

Hora de ir embora ... - part II


É quando vc vê o Brasil fazer um ótimo jogo, no entanto sem gols e, como é mata-mata, ir para os pênaltis e perder para um time medíocre no ataque, o Paraguai. É perceber que vc, como não se deu bem nos seus pseudo-relacionamentos, está meio que se masculinizando, assistindo a jogos de futebol e sacando, aos poucos, o que é um escanteio, impedimento, lateral, tiro de meta, falta, pênalti, mas ainda assim perceber as pernonas do goleiro do Paraguai - humm...

É quando vc sente a precisão, a necessidade de novos ares e de algo que não tem nome - um canto, uma casa, um ar livre, um ar fechado, um céu, um inferno, enfim, algo que te impulsione, a tal da mola propulsora... É quando você tem que fazer um mapa mental e todos os seus planos não cabem no papel : intercâmbio (ainda não desistiu?), concurso, mestrado, São Paulo, Ouro Preto, Viçosa (??), "amor", ... E quando vc começa uma outra habilitação e é praticamnete obrigada a parar por causa do seu trabalho, e fica pensando se é isso mesmo que quer - parar ou continuar...

É quando você perde o celular do nada e de repente percebe que anda perdendo coisas demais: antes do celular, a chave de casa numa festa, as várias chances anuais de intercâmbio com bolsa integral, as bolsas de iniciação científica, os amores (claro que a maioria não dependia de vc), amigos... e isso te deixa extremamente irritada e com raiva e preocupada consigo mesma, já que se considera tão cuidadosa com coisas e... bom, nem tanto com pessoas.

É quando vc pensa ter chegado a fase adulta, mas ainda se interessa por garotos, e não homens; ainda gosta de coisinhas e caixinhas e bonequinhas e bolsinhas rosas; quando diz odiar os homens, mas tem pena do personagem da novela massacrado pela vingança de uma mulher; é quando odeia os homens, mas é hetero e ama seu sobrinho, mas morre de medo de parir um menino - mais um no mundo?? nãooo!

É quando vc se dá e não se preserva... é quando não se importa consigo mesma a ponto de temer DSts e Aids ou gravidez... é quando aos 27 ainda não pode ter um filho ou se casar por falta de condições e falta do noivo e do pai... é quando toda essa confusão mental, que é esse texto em duas partes, se sobressai a vc e cada um que lê te interpreta de uma forma. E é hora de partir, finalmente, quando o que pensarão sobre vc ainda te apavora. Bye.

E... pra onde?

... (talvez continue)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

H. Pylori

A partir de hoje, se a grana deixar, minha dieta será essa aqui. Descobri, indo hoje ao médico, que tenho uma bactéria no estômago, na verdade uma bactéria comum que muita gente tem, mas que pode ou não se manifestar pro mal. É claro que no meu caso ela fez questão de ser do mal e se manifestar. Eu já tinha cortado bebidas alcoólicas, café e refrigerante, agora só falta remover o estômago mesmo. Sim, porque comer só frutas (não cítricas), legumes e vegetais sempre refogados, lembrar que isso ou aquilo tem gordura ou ataca o estômago, bom, é coisa de nutricionista, ou de gente antenada demais no que come. Cortar frituras também, que são superiormente mais saborosas que coisas cozidas, mas tudo bem. E pensar que tem gente se acabando no torresmo com cachaça sem nada lhes acontecer... Mais um capítulo da injustiça do universo contra mim. A vida sem sabor.
Duzentos mil atrasos hoje e o preço do remédio pra matar a bactéria me fizeram chorar de raiva e tristeza. Pergunto, como sempre, por…

Inutilidade pública - a história de Benê

O que é ser (in)útil?


Benê se sentia inútil. Vivendo de aluguel com uma gata e uma cadelinha, ia empurrando as coisas com a barriga (literalmente). Desempregado e acima do peso, gostava mesmo era de comer, jogar video game e conversar com friends pelo cell phone. A cadelinha era sua melhor companhia. de vez em quando gritava com ela, tocava-a de onde estava, mas ela logo voltava feliz lhe abanando o rabo. Já a gata não. Olhava-o com altivez, as vezes se roçava em suas pernas, recebia seu carinho e até dormia com ele, mas se irritada, arranhava-lhe sem dó e de repente. Benê tinha vários arranhões, mas amava aquela gata sem bem saber por que. De vez em quando ela dava um sumiço, mas sempre também voltava, com parcimônia. Estava sempre pronta para partir. 
Benê comia porcarias, e comida boa em quantidades rinocerônticas, mas gostaria de mudar se não fosse essa imensa, intensa e incontrolável fome que sentia. A comida era a única fonte e prazer que enxergava, rápida e concreta. Um dia pas…

Homens marinheiros

Marinheiro - Adriana Calcanhotto



O meu amor me deixou
levou minha identidade
não sei mais bem onde estou
nem onde há realidade

Ah, se eu fosse marinheiro
era eu quem tinha partido
mas meu coração ligeiro
não se teria partido

ou se partisse colava
com cola de maresia
eu amava e desamava
surpreso e com poesia

ah se eu fosse marinheiro
seria doce meu lar
não só o Rio de Janeiro
a imensidão e o mar

leste oeste norte sul
onde o homem se situa
quando o sol sobre o azul
ou quando no mar a lua

não buscaria conforto
nem juntaria dinheiro
um amor em cada porto

Ah se eu fosse marinheiro..
não pensaria em dinheiro
um amor em cada porto..
Ah se eu fosse marinheiro..

O meu amor me deixou,
levou minha identidade
nao sei mais bem onde estou
nem onde ha realidade

Ah, se eu fosse marinheiro
era eu quem tinha partido
mas meu coração ligeiro
nao se teria partido
ou se partisse colava
com cola de maresia

Homens são marinheiros, trabalhadores de um dia que vêm ,aportam, conquistam, usam, amam por uma noite e se vão…