Pular para o conteúdo principal

Das coisas que não fazem sentido


Tem muita coisa em relacionamentos, na visão de homem e mulher, que não faz muito sentido. depois de ver este vídeo, talvez não faça sentido eu ler os "50 tons de cinza", cujo nome deriva do personagem machista principal, Christian Grey. O livro traz um tipo de relacionamento totalmente doentio entre uma mulher completamente insegura e um cara dominador, cujas atitudes são entendidas por ela como cuidado e amor. Não, eu não li, mas me senti tentada a ler. Eu me via assim, nessa condição de fragilidade há algum tempo, mas ando lendo blogs feministas e vídeos de todo tipo. Informação nunca é demais e na verdade é extremamente necessária nos dias de hoje. Este post do blog Escreva Lola Escreva foi especialmente inspirador para repensar certos fatos da vida e as atribuições dos papéis femininos e masculinos em nossa sociedade. A cultura do estupro, nome que particularmente achei forte, talvez exagerado, mas exatamente por eu estar sob ela, dita a regra de que o macho deve ir atrás da fêmea e insistir, até que ela ceda. Ou não. Cedendo ou não, ele tem direito de fazer o que bem entende a partir do momento em que ela esteja, como se diz, no território dele, ou que ao menos tenha passado pelas fases de beijo, amasso e ir pra um canto ou casa de um dos dois. Enfim, não faz sentido, mas acaba que pra gente, acostumado a isso, meio que faz. Meio que "é assim mesmo...". Mas não. 

Educação, como disse a moça do guest post de Lola, faz toda a diferença, desde o trato entre homens e mulheres até professores e alunos, pais e filhos, povo e político, beira toda nossa sociedade. respeitar a cabeça do público também né cara autora de 50 tons. Como disse o Felipe Neto, do vídeo, o livro é vendido como se fosse um romancezinho para adolescentes, está aí completamente disponível, mas é um livro pornô.

Estamos na era virtual e é normal a comunicação unicamente online. E é importante ainda o papel de ouvinte sobretudo através de comentários, que é como sabemos se somos "ouvidos", isto é, lidos. Ou curtir, ou gostar. Todos precisamos ser ouvidos e todos temos algo a dizer, ainda que sejam besteiras do tipo dos 50 tons. Por trás dessas besteiras, dessa nossa atual literatura barata, mulheres estupradas sem saber? Homens estuprando sem saber? Nos vendemos tão facilmente assim? mulheres se portando feito adolescentes inseguras? É normal a insegurança na adolescência, mas depois disto permanecer num mundo ilusório sem saber dizer não? Virgindade ou pouca experiência não são problemas. O problema reside em como nos vemos, como a sociedade nos vê e que peso essa visão externa tem pra mim, em mim, na minha vida. Pensar dói, mas agir só por instinto é absurdo. Não faz sentido. 


Comentários

Rodolfo Xavier disse…
Há alguns meses atrás, antes do estrondoso sucesso desse livro, minha namorada me deu um exemplar de presente. Não, a probrezinha não conhecia a história e comprou porque achou interessante a descrição (que em momento algum fala nem o ABC do alfabeto que é o livro).
Enfim, coloquei-me a ler o livro. Descobri um livro bastante chocante e muito mais pornográfico do que um dia imaginei. Continuei lendo...
Não aguentei e larguei o livro no meio (embora ainda queira terminar por não gostar de deixar nada pela metade), mas larguei porque sem ser querer ser machista, mas já sendo, esse livro é muito pornô para mulheres excessivamente carentes. Parece que a autora pensou: "Ah, vou criar um cara que toda mulher carente vai querer um e se sentir mentalmente saciada ao ler". Pronto... o cara é rico (só mandando emails), bonitão, só usa roupas de marca, jovem, pilota helicóptero... Algo exatamente impossível de se existir. Enfim, voltando ao tema do seu post, outra coisa que me fez largar o livro foi que, embora algumas coisas que aconteça à dois sejam, por um lado, até legais, em outro momento, parece ser extremamente doentio. Em resumo: não me agradei muito do livro, embora tenha aberto meus olhos para algumas coisas (por exemplo: algumas mulheres gostam tanto de pornô quanto alguns homens).

Postagens mais visitadas deste blog

A Cabana

Estreando essa Coluna de quinta, vou falar sobre o filme A Cabana (The Shack). Demorei um bocado para falar sobre o filme, minha vontade quando assisti o filme foi sair dali e correr pra fazer uma resenha linda, elogiando altamente o filme. Porém ponderei e deixei a emoção esfriar. A maioria dos cristãos, os mais estudados, está fazendo duras críticas ao filme. Este vídeo é bem interessante e prova disso. Não discordo dele em muita coisa, porém em algumas coisas discordo e vou explicar o meu ponto de vista. O MEU ponto de vista. Este outro vídeo já fala bem, levando em consideração apenas a mensagem geral do filme: que Deus deseja ter um relacionamento pessoal com cada um de nós. E isso, para nós cristãos, é um fato.

Desde que li o livro e soube do projeto do filme, porque já havia a ideia de transformá-lo em filme, fiquei na expectativa do filme. Confesso que quando leio, não consigo visualizar bem o que está escrito, e um filme me ajuda muito. Aí saiu e qual não foi a surpresa quan…

H. Pylori

A partir de hoje, se a grana deixar, minha dieta será essa aqui. Descobri, indo hoje ao médico, que tenho uma bactéria no estômago, na verdade uma bactéria comum que muita gente tem, mas que pode ou não se manifestar pro mal. É claro que no meu caso ela fez questão de ser do mal e se manifestar. Eu já tinha cortado bebidas alcoólicas, café e refrigerante, agora só falta remover o estômago mesmo. Sim, porque comer só frutas (não cítricas), legumes e vegetais sempre refogados, lembrar que isso ou aquilo tem gordura ou ataca o estômago, bom, é coisa de nutricionista, ou de gente antenada demais no que come. Cortar frituras também, que são superiormente mais saborosas que coisas cozidas, mas tudo bem. E pensar que tem gente se acabando no torresmo com cachaça sem nada lhes acontecer... Mais um capítulo da injustiça do universo contra mim. A vida sem sabor.
Duzentos mil atrasos hoje e o preço do remédio pra matar a bactéria me fizeram chorar de raiva e tristeza. Pergunto, como sempre, por…

Inutilidade pública - a história de Benê

O que é ser (in)útil?


Benê se sentia inútil. Vivendo de aluguel com uma gata e uma cadelinha, ia empurrando as coisas com a barriga (literalmente). Desempregado e acima do peso, gostava mesmo era de comer, jogar video game e conversar com friends pelo cell phone. A cadelinha era sua melhor companhia. de vez em quando gritava com ela, tocava-a de onde estava, mas ela logo voltava feliz lhe abanando o rabo. Já a gata não. Olhava-o com altivez, as vezes se roçava em suas pernas, recebia seu carinho e até dormia com ele, mas se irritada, arranhava-lhe sem dó e de repente. Benê tinha vários arranhões, mas amava aquela gata sem bem saber por que. De vez em quando ela dava um sumiço, mas sempre também voltava, com parcimônia. Estava sempre pronta para partir. 
Benê comia porcarias, e comida boa em quantidades rinocerônticas, mas gostaria de mudar se não fosse essa imensa, intensa e incontrolável fome que sentia. A comida era a única fonte e prazer que enxergava, rápida e concreta. Um dia pas…